sábado, 9 de novembro de 2013

Meu fardo de cada dia


Minha pressa foi tão moleca, que não esperou a sensatez chegar para programar alguns conselhos práticos.
E hoje, o que mais dá saudade é o caminhar leve e despreocupado, é a dança, é o descompromisso, é o esforço pra se manter na linha. É o fechar os olhos, fazer um pedido e ver acontecer. Sinto falta da liberdade inocente e boba que um dia dormiu em casa. E dá saudade lembrar das manhãs descomplicadas que costumavam acordar por aqui.
Eu poderia não envelhecer, só para viver tudo de novo. Duas vezes mais. Com mais exageros. Mais riscos. Mais amor. Menos medo e mais acaso.
Ficar aqui, com os antigos livros ainda na estande e as mesmas fotos no retrato é desconfortante. O que era colorido já desbotou e as gargalhadas despreocupadas de antes já não soam mais pela casa. A saudade tem sido um fardo.
Eu sinto falta (só) de tudo.