quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Os monstros brincalhões estão de volta



E lá vem de novo os monstros foliões brincar de pique esconde. Já faz tanto tempo, mas eles parecem não ter esquecido o caminho de casa.
Chegaram de longe, fantasiados de Ansiedade, Indecisão, Desespero e Desejo. Inquietos, pedem atenção à garota.
Ela despista, sussurrando que ainda seria cedo para lavar as taças sujas de vinho e jogar fora as garrafas vazias. Com um sorriso tímido e inseguro sugere desenhar um poema de palavras doces, pra poupar o tempo.
Mas a Ansiedade já exaltada protesta que não é tempo de brincar com a rima de palavras. E o Desespero emenda que o tempo não está para os prazeres. É tempo de se curar das nostalgias, tirar do rádio as canções dramatizadas e jogar no fundo do baú as velhas cartas de amor. Só as cartas. O amor você guardar em algum espaço restrito da lembrança, que é pra quando sentir falta, ter como lembrar aquelas manhãs regadas de doçura e das roupas espalhadas no chão, e sem esforço, ainda sentir o sabor doce do melhor beijo.
Enquanto ela ouve os conselhos controversos da Ansiedade, inquieto o Desejo perde a linha e faz pressão emocional.
A garota não suporta e chora, alegando estar apaixonada.
Ao ouvir isso, todos se calam, incrédulos se entreolham, como se pensassem em conjunto: "E agora?"
Sem reação, a garota de olhos grandes amassa os cílios curvados ao secar algumas lágrimas, enquanto espera pelo pior.
Neste meio tempo de eternidade, o Desejo ameaça fazer uma piadinha com o 'estar apaixonada', mas o Desespero corta a graça antes mesmo de ser pronunciada, aclamando que o assunto é sério e pode mudar toda a rota.
Todos concordam e se reúnem no canto da sala, em murmúrios, para decidir o destino da poetisa apaixonada.
A discussão toma conta da sala e é difícil entender os cochichos.Ela tenta decifrar uma possível decisão através do semblante das fantasias, que hora concordam, hora discordam.
Todos se expressam e opinião é o que não falta. A mais quieta do ambiente é a Indecisão, sempre tão embaraçada se mantêm calada, porém presente.
A garota passa os olhos pelos ponteiros e percebe que mais um pedaço de eternidade se passou e nada foi decidido ainda.
Curiosa e apreensiva ela aguarda seu destino ser declarado nas próximas horas.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Só quero sua brisa leve e quente




Há folhas se atirando do alto das árvores, anunciando um novo outono. A nova estação chega apressada, mas eu não quero correr o tempo, só quero deixar que o tempo me leve e me arraste de leve pra perto de você. Só quero viver nossas vidas de perto, de bocas juntas e mãos dadas.

Só quero me jogar no seu carinho, sem me importar com as horas que passam lá fora, só quero ouvir, viver e ver tudo de você. Quero sua língua desenhando meu corpo no inverno e me cobrindo de desejo nas próximas estações. Quero sua brisa leve e quente sussurrando bobagens ao pé do ouvido.

Sua brisa faz bem a minha pele, tenho rejuvenescido meu juízo com você e amadurecido meus desejos. Você é mais que um frio na barriga, é mais que um sabor doce na boca e mais que um pedaço de mim. Você admitiu ser ‘espaçoso’ e eu concordei, afinal... você chegou tomando conta da minha vida, das minhas vontades, dos meus planos e roubou minha atenção. Quando eu notei, estava pensando em você todos os minutos do meu dia, sem querer, por te querer demais.

Só quero me apaixonar por você de novo e todos os dias, até o fim do outono, começo do inverno e o nascer das outras estações. Eu não sei mais decidir se ainda quero, porque minha vontade já tem um sentido próprio e só sabe gostar mais de você, a cada dia.

sexta-feira, 2 de março de 2012

É desse apego que eu estou falando...



Talvez eu precisasse acreditar mais que era seguro se permitir e andar pela contramão no único sentido certo. Tolice seria tentar fugir desse apego. Desses que não se tem como esconder, que bagunçam a vida, que lhe roubam o ar e fazem gelar a barriga.

É o tipo de apego que costuma fazer surpresa, chega sem pedir licença roubando a concentração e transformando a teimosia em doçura. É um apego que não vem sozinho. Vem acompanhado de chamegos, risos, conversas, mãos dadas e corpos colados.

Que aproxima e devora, deixando sabor de vontade. E me faz querer outros beijos molhados de desejo, com sabor de tentação.

Querer alimentar as vontades e enganar o tempo, que é pra desacelerar os ponteiros quando estou com você.

Querer sentir a pureza de sentimento no toque das suas mãos afastando meu cabelo do rosto. E nas brincadeiras, poder notar o quanto esse apaixonar é bobo e criança, sem deixar de ser sério e intenso.

É desse tipo de apego que eu estou falando. Um apego que me faz desejar semicerrar os olhos em você e adormecer sabendo que vou acordar ao seu lado. Um apego que chegou na hora certa.